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Carnavalescos reagem à anúncio de verba pública para oficinas

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A informação anunciada aqui no Blog de que o prefeito Nelson Marchezan Júnior preparava o anúncio de medidas para o carnaval do Porto Seco foi recebida com ceticismo e críticas nos grupos de aficcionados pela cultura popular na capital. Os detalhes do que seria foram trazidos dias depois pelo jornalista Claudio Brito. “Cada escola receberá cerca de R$ 70 mil para a realização de oficinas técnicas, artística e de gestão”, revelou em postagem no Facebook.

O ato de assinatura está marcado para esta quarta-feira, dia 15, em cerimônia no Paço Municipal. A Prefeitura Municipal ainda não confirmou os detalhes, mas o anúncio de que o executivo prepara algum tipo de ajuda em ano eleitoral criou polêmica entre os carnavalescos. Desde 2017, primeiro ano de seu governo, a Prefeitura deixou de oferecer cachês às escolas e de oferecer a infra-estrutura necessária para a realização dos desfiles. Diante das dificuldades, Porto Alegre não teve carnaval competitivo em 2018, algo inédito.

Desfile do Estado Maior da Restinga em 2017 / Foto André Gomes – LIESPA

Entre as postagens, uma delas classifica a medida como “estratégia eleitoral”. “Aceito o dinheiro, mas não dou meu voto”, afirma uma delas. Um dos debates que se iniciou é se as verbas oferecidas pelo Executivo Municipal deveriam ou não serem aceitas pelas escolas. O detalhamento das oficinas serão conhecidos apenas na quarta. “Ele não está fazendo nada mais do que a obrigação”, diz outra mensagem. São várias nesta linha.

A obrigação a que o carnavalesco se refere está prevista na lei municipal 6619/90, de autoria do ex-vereador Dilamar Machado (meu pai) e que deixa claro no seu artigo terceiro que o Poder Municipal não está fazendo o que deve.

Art. 3º Os desfiles de agremiações carnavalescas serão realizados em logradouros públicos deste Município, com as condições de infraestrutura e ornamentação colocadas à disposição pelo Executivo Municipal.

Em nenhum dos anos da atual gestão este dispositivo legal foi cumprido. Ainda no seu primeiro ano de governo, Marchezan afirmou que preferia destinar os recursos orçamentários do carnaval para áreas mais carentes, como saúde e educação. A postura do prefeito gerou protesto dos carnavalescos, mas encontrou apoio em outros segmentos da sociedade.

A reaproximação do prefeito com o carnaval teve início ainda antes do carnaval do ano passado, com a saída da Liga Independente das Escolas de Samba da organização. O diálogo ficou menos tenso, mas o relacionamento não retornou ao que era antes da sua gestão.

Os desfiles das escolas de samba de Porto Alegre em 2020 ocorrerão nos dias 06 e 07 de março, no Porto Seco. Pela primeira vez, uma produtora externa, a Bah!, é responsável pela organização e comercialização. A empresa é a mesma produtora do bem sucedido carnaval de Uruguaiana.

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