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O que esperar do Mercado Público em 2020

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Com parte do seu segundo piso fechado desde o incêndio e de 2013 e na expectativa do lançamento do edital de parceria público privada (de acordo com a Secretaria de Parcerias Estratégicas, isto deve ocorrer entre fevereiro e março) que desagrada os atuais permissionários por uma alegada falta de diálogo, o Mercado Público faz 151 em 2020 sob expectativa. Tanto da retomada do seu funcionamento integral, quanto do futuro da gestão que torna incerta a manutenção de suas características e preços competitivos.

Foto: Arquivo PMPA

A presidente da Associação do Comércio do Mercado Público Central, Adriana Kauer, conversou com o Blog do André Machado sobre as perspectivas do coração de Porto Alegre para 2020.

Blog do André Machado – Como está sendo este início de ano para os comerciantes do Mercado Público? As perspectivas são boas?

Adriana Kauer – Em termos de venda, 2020 ainda está fraco, mas é normal para janeiro pelo esvaziamento da cidade. Eu lembro sempre que o Mercado Público é, antes de mais nada um centro de abastecimento. Se as pessoas não estão em Porto Alegre, isto reflete no movimento. Em termos de perspectivas a gente sempre tem a esperança de dias melhores. A população quer muito bem ao Mercado que atende todo tipo de classe e de público. Independente de ter a economia aquecida, ele é sempre lembrado. É um espaço que se adapta. Na maioria das lojas o atendimento é feito pelo dono, são lojas familiares. Isto faz com que a necessidade das pessoas sejam atendidas com mais rapidez.

BAM – Voltaremos a contar em 2020 com o funcionamento completo do segundo andar?

Adriana – Uma coisa é o queremos…. entre o que a gente quer e o que pode fazer, às vezes, tem uma distância muito grande. Ano passado pedimos ao Ministério Público para realizarmos (associação) a rede elétrica, mas tudo ficou parado em razão da PPP. Ficamos receosos em investir mais no Mercado se não soubemos o futuro do Mercado. Estamos agora aguardando que a Prefeitura faça a elétrica com recursos que existem do IPHAN e com recursos do FunMercado. É importante lembrar que os recursos que vem para o Mercado não são recursos públicos. Este fundo é composto pelos recursos arrecadados nas bancas e dali volta para cobrir as despesas do Mercado. Estamos otimistas que não se espere o novo gestor para resolver uma demanda que está muito demorada. Temos colegas que desde 2013 estão em local provisório e operando com 30% da arrecadação que tinham. Para nós é muito angustiante não termos o Mercado operando a pleno. A população que frequenta o Mercado está ansiosa.

BAM – A Prefeitura Municipal quer levar adiante uma PPP para o Mercado. Os comerciantes são contra?

Adriana – É um assunto delicado e importante para a vida do Mercado Público. Aqui está a vida de 1200 pessoas, o número de trabalhadores que estão aqui. Nós não vamos ser contra algo que traga coisas boas: investimentos, segundo andar aberto, novos colegas. Isto é maravilhoso. Só que o preço para que isto aconteça não pode ser inviabilizando os negócios ou ao próprio Mercado. Hoje da maneira que está a PMI, o texto fala que os permissionários teriam a preferência para permanecerem. Só que uma preferência sem um teto (de valor) não é preferência, é leilão. Nos últimos três anos não houve nenhuma reforma gerida pela Prefeitura. Todas as obras foram bancadas pelos permissionários. Na reforma de 96, por exemplo, os comerciantes pagaram aluguéis duplos para bancar a reforma. A luz e o banheiro são pagos pelos permissionários que bancam consertos, sem falar do PPCI onde foram investidos além de R$ 400 mil. Quando se fala em PPP é preciso lembrar o histórico destas pessoas que estão no Mercado e investiram muito no local onde estão. É preciso reconhecer. Não somos contra a PPP, desde que venha a agregar, mas somos contra o que vá descaracterizar o Mercado Público ou não respeitar as pessoas que fazem hoje o Mercado acontecer.

BAM – Como um comerciante que está há décadas trabalhando no Mercado Público explicaria o local para quem chegasse hoje a Porto Alegre?

Adriana – Antes de mais nada é um centro de abastecimento onde as pessoas encontram valores mais baixos, produtos frescos e uma variedade de produtos totalmente diferente. É uma mini Porto Alegre e reflete muito a nossa cidade. Quando ele está bonito, a cidade está bonita. É a atração mais lembrada do Trip Advisor como o local para se conhecer em Porto Alegre. Aqui não existe distinção. Quem vem será sempre bem recebido. Além disto tem importância religiosa em razão de um assentamento de Bará. É um lugar de fé, não de religião. Também temos missas aqui dentro. Venha porque vale a pena.

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