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ARTIGO: Encarando o envelhecimento

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Sou um jovem de 53 anos. A idade pode não dizer, mas é assim que sinto. Estou interessado em novidades, inovação e quero não apenas ver, mas influir, as mudanças do mundo. Nasci em 1966 e faço parte da geração que era o “futuro do Brasil”, nos anos 70 e que em breve será a maior geração de idosos da história. Tem muito para se falar sobre o tema.

Para esta quarta-feira, pedi ajuda a duas amigas da Flows Psicologia. Como enfrentamos, além das mudanças físicas, as mudanças tecnológicas que nos impactam. E a aposentadoria? No texto abaixo uma leitura necessária para quem está preocupado com a proximidade desta maturidade avançada.

Foto: Claiton Dornelles / SESC-RS

Por Karine Santos e Gabriela Lumi, psicólogas

O envelhecimento populacional retrata características da atualidade acerca dos avanços biotecnológicos. Conforme os dados do ano de 2012 do IBGE, de 2001 a 2011 houve um salto no número de idosos no Brasil de 15,5 milhões, passando para 23,5 milhões.

O envelhecimento é um processo natural da vida, sendo uma fase marcada por grandes transições. Com o passar dos anos nossa saúde não é mais a mesma, nosso organismo e raciocínio já não funcionam como antes. As mudanças são muito significativas e chegam todas quase que ao mesmo tempo, podendo impactar na saúde emocional dessa população. Os filhos já saíram ou estão saindo de casa e é preciso se adaptar a essa nova configuração familiar.

Durante a vida toda, o trabalho consome grande parte da nossa energia, e muitas vezes a nossa carreira é priorizada e extremamente planejada, mas esquecemos ou deixamos de lado algumas metas que gostaríamos de conquistar e valores que nos conectam com aspectos importantes da nossa personalidade e fundamentais para nosso bem-estar, pois acreditamos que tudo será alcançado e realizado quando chegar a tão sonhada aposentadoria.

Não é estranho ouvir alguém dizer que planeja fazer algo ou viajar para algum lugar apenas após se aposentar, não é verdade? Não é incomum vermos pessoas recém aposentadas “perdidas” e até às vezes deprimidas, pois as expectativas agora são grandes e as pessoas acreditam que enfim vão alcançar a tão sonhada felicidade, esquecendo-se que momentos felizes e até tristes ocorrem durante todas as etapas da vida.

Assim como há planejamento no âmbito laboral, deve haver este planejamento para a aposentadoria também. As situações ocorrendo ao mesmo tempo e movimentando as emoções. É possível, sim, desfrutar com alegria e se adaptar a essa nova fase. Então, se você está aposentado ou prestes a se aposentar, pense em atividades que lhe proporcionem prazer e autoeficácia, saia com os amigos e familiares, pratique a espiritualidade, faça um voluntariado que deseja e não fazia antes por falta de tempo.

Com tantas coisas acontecendo, o idoso tem que se adaptar a novas formas de se relacionar e a ressignificar sua rotina e tudo isso, em meio a era digital. A tecnologia se modificando a cada dia, fica difícil para todos nós (idosos ou não) ficarmos atualizados o tempo todo. O idoso não possui essa rapidez do jovem, e muitas vezes a tecnologia pode assustar, mas esse recorte da população carrega consigo muita experiência de vida, podendo assim, aliar-se a tecnologia. Ela pode aproximar filhos que já não moram mais com seus pais, além das crianças estarem super antenadas, elas adoram ajudar os avós a explorarem as redes sociais.

Para nós enquanto profissionais da área da saúde que nos deparamos com atendimentos clínicos das mais variadas idades, percebemos que em meio a tantos avanços da medicina, nutrição, novas tecnologias e aumento da expectativa de vida, definitivamente os sessenta de hoje não são iguais aos 60 de antigamente! Mesmo com tantas mudanças, o idoso vem tomando espaço e se reinventando perante a vida moderna e quebrando muitos tabus acerca de seus “limites”, sexualidade e capacidade de viver uma vida com mais sentido e liberdade.

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