Início Jornalismo Notícias Associação que representa bares e restaurantes do RS defende reabertura em duas...

Associação que representa bares e restaurantes do RS defende reabertura em duas semanas

40
0
Imagem ilustrativa (Foto: unsplash)

Os bares e restaurantes estão sendo, assim como outros setores da economia, diretamente afetados pelas medidas que impõem o fechamento de estabelecimentos e a diminuição da circulação de pessoas nas ruas. No Rio Grande do Sul, a associação que representa o setor trabalha para que a reabertura dos estabelecimentos ocorra no dia 13 de abril. 

“Se a gente passar muito de abril, a situação vai ser bem calamitosa. Vamos ter uma mortalidade de empresas muito maior do que a gente esperaria”, comenta Maria Fernanda Tartoni, presidente Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no estado (Abrasel-RS). Apenas em Porto Alegre são seis mil estabelecimentos de alimentação. Um deles, o de Maria Fernanda.

Uma pesquisa da própria Abrasel mostra em números o reflexo nas atividades do setor que já se imaginava. Bares, restaurantes e lanchonetes amargam quedas bruscas no faturamento, que, em alguns casos, chegou a zero na última semana. Quarenta e seis bares e restaurantes gaúchos responderam a pesquisa online da associação – 34 deles de Porto Alegre. O levantamento mostra que 54,5% dos estabelecimentos estão com a operação totalmente suspensa, 29,5% funcionando com delivery e 11,4% produzindo alimentos para a retirada no local. Os dados ainda mostram que 70,5% das empresas fica em loja de rua.

Segundo Maria Fernanda, a possibilidade de não ter como pagar os funcionários nesta semana é a maior preocupação dos empresários do setor neste momento. “Quase todas as contas são de grande preocupação, mas numa escala de dor de cabeça mais forte, é o funcionário primeiro, porque estamos falando de pessoas. Assim como nós não temos dinheiro, eles também não vão ter e é uma sucessão de problemas. A gente sabe que não pagar funcionário tem consequências mais graves”, destaca.

Os custos de locação, fornecedores e impostos se somam à cadeia de preocupações. Em alguns casos, há negociações sendo feitas diretamente com os locatários e fornecedores. Prazos mais distantes para os pagamentos ou abatimento de juros às vezes são conseguidos, mas não é regra. 

Sobre demissões de funcionários, 36,4% dos empresários que responderam a pesquisa da Abrasel informaram que já demitiram, 34,1% não e 29,5% ainda não, mas pretende fazer. A estimativa é que o número de funcionários desligados fique entre 1 e 4 por estabelecimento, segundo sinalização dos próprios donos de bares e restaurantes. 

O empresário Claudio Santos, que também atua no ramo alimentício, reduziu sua operação, fechando uma das lojas e operando apenas com delivery em duas. “Não fiz demissões. Dei férias coletivas e agora vamos esperar o próximo passo”, diz ele. Santos também coloca o pagamento dos funcionários como principal preocupação.

A pesquisa da Abrasel ainda traz dados sobre o faturamento das empresas do ramo. Na comparação dos ganhos do dia 25 de março, uma quarta-feira, com o mesmo dia da semana antes da crise, 95,2% afirmaram que o faturamento diminuiu. Para 38,5% dos entrevistados, os ganhos caíram a zero. As vendas pelo delivery aumentaram para 15% dos estabelecimentos, diminuíram para 30% e se mantiveram estáveis para outros 15% – 40%, no entanto, afirmaram não ter o serviço de entrega de produtos em casa. 

O delivery, no entanto, funciona melhor para quem já tinha essa modalidade de venda como ponto forte, conforme destaca a presidente da Abrasel. “Não é tão fácil assim começar a vender tele-entrega. Mas o delivery está sendo uma alternativa razoável. Tem um limite, claro, de motoboys, de clientes”, comenta Maria Fernanda. 

A reabertura dos bares e restaurantes no dia 13 de abril dependerá de mudanças nas decisões fixadas até aqui, principalmente pelos municípios. Em Porto Alegre, por exemplo, os bares e restaurantes só podem abrir, até este momento, para atender demandas de tele-entrega ou para que o cliente busque a comida no próprio local. 

“Estamos acompanhando as notícias da saúde dia após dia. Se puder abrir antes do dia 13, a gente agradece. Se for depois, a coisa só começa a piorar. Mas temos consciência de que o mais importante agora é deter a disseminação do vírus. Acreditamos que dia 13 é um prazo bom porque a gente ainda tem meio mês para tentar recuperar alguma coisa”, finaliza a presidente da Abrasel RS.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui