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Os desafios da tecnologia na educação. Duas visões sobre onde precisamos avançar

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Foto: Feliphe Schiarolli/Unsplash/Ilustrativa

A live desta terça-feira, 19, do projeto Porto Alegre além da Covid-19 debateu a tecnologia e a inovação nos sistemas de educação. Com mediação de André Machado, participaram o ex-secretário de Educação do Rio Grande do Sul Ronald Krummenauer e o fundador e CEO da Córtex Sistemas de Inteligência Educacional, Richar Lucht. Por uma hora, os dois levaram ao debate suas visões distintas sobre a necessidade de ampliar a presença da tecnologia na educação, principalmente nos sistemas de controle e acompanhamento da vida escolar do aluno.

Para Lucth, a tecnologia é uma alavanca de mudanças, mas se não for devidamente cuidada ela pode quebrar processos que funcionam e apenas acelerar processos que são mal feitos dentro das instituições. Alguns problemas, pontuais, não são da tecnologia, mas de culturas, segundo ele. “Quando falamos em inovação, isso pressupõe gente, capital humano. Que capital humano estamos formando? Que estados vamos ter daqui para a frente?”, questiona o professor. Emprego apenas de tecnologia, na sua visão, não resolve todos os problemas.

Krummenauer aponta que praticamente 90% dos diretores das escolas estaduais do RS são afeitos às mudanças e aos avanços a partir da tecnologia. Ele conversou com todos os 2,5 mil diretores durante os 20 meses em que comandou a Secretaria de Educação do estado. “A maioria está preocupada com mudanças”. Ele entende que ferramentas tecnológicas podem contribuir para um acompanhamento mais instantâneo de eventuais distorções.

A inovação deve estar presente na escola pública, na visão de Richard Lucht, que atua há cerca de 20 anos na área da educação, tendo passado por escolas e instituições de ensino privado, como professor e gestor. “Se existe uma possibilidade de redução do gap entre escolas púbicas e privadas ela está na capacitação dos professores e no uso de ferramentas digitais”, pontua. As tecnologias, para ele, precisam ser usadas de maneira inteligente a fim de construir um processo que permita ter um caminho a ser seguido. “Precisa ser um plano de estado, de recuperação da educação pública e começar do básico.”

Krummenauer vai além. Ele, que comandou a Agenda 2020 por 11 anos, onde a pauta da educação era permanente, entende que não se pode simplificar os problemas da educação. Isso envolve não apostar só em aumento de salário para professores e na infraestrutura física. “Se ficarmos nessa pauta de sempre, de pelo menos duas décadas, não vamos sair da situação em que estamos hoje”, frisa. Educação, no seu entendimento, nunca foi prioridade para governo algum, nem em Porto Alegre, nem no RS, muito menos para Governo Federal. “Nunca se cobrou uma qualidade na educação”, ressalta Krummenauer, colocando as famílias como também responsáveis por esse cenário.

O raciocínio do ex-secretário segue pelo caminho do imediatismo. Ele cita saúde e segurança como exemplos, que são mais urgentes diante das necessidades, muitas vezes até de sobrevivência. Com a educação, que exige uma atenção de médio e longo prazos, a sociedade tende a não dar o mesmo valor. “Não trabalhamos a cultura da necessidade da educação no Brasil em momento algum”, destaca Krummenauer, atualmente CEO do Transforma RS.

O professor Lucht pensa na mesma linha. Para ele, a falta de prioridade dos governos na educação é também reflexo da sociedade, que não a cobra. Os reflexos de eventuais alterações nos processos só serão percebidos em cerca de 15 anos, período médio de formação de um jovem na educação básica.  “Há 15 anos não se tinha iPhone, não se tinha tela touch”, relembra ele, evidenciando as rápidas e impactantes mudanças no cenário tecnológico que têm reflexo direto na vida da sociedade e especialmente dos mais jovens.

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