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Medo de demissão e menos chance de trabalho em home office: a realidade, durante a pandemia, de quem não tem ensino superior

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Imagem ilustrativa. Pessoas aguardando ônibus no Terminal Uruguai, no Centro de Porto Alegre, durante a pandemia (Foto: Maria Ana Krack/PMPA)

Uma sondagem feita de maneira digital, em Porto Alegre, entre os dias 14 e 20 de maio, evidenciou duas realidades que afetam negativamente em maior proporção aqueles que não têm ensino superior:  o maior medo de serem demitidos e a impossibilidade de fazerem home office. A sondagem também buscou entender como está a rotina da população durante a pandemia. Os dados evidenciam que trabalhar de casa é um privilégio principalmente para quem tem ensino superior. Enquanto 41,8% dos respondentes que têm uma graduação estão trabalhando de casa, este número só chega a 25% entre os que têm até o ensino médio.  

O levantamento ouviu 759 pessoas. A partir dos dados, também é possível perceber que o grupo com menos instrução está com mais medo de ser demitido – 31,9%. Já para quem tem ensino superior o percentual é de 26%. Os números também mostram que, entre os respondentes, 17,4% dos que têm ensino fundamental e médio já foram demitidos em função da quarentena, ante 7,3% entre os de nível superior.

“A pandemia promoveu o distanciamento social e exacerbou as diferenças sociais. Aqueles que têm escolaridade mais baixa, por exemplo, perderam o emprego e a renda em maior proporção que aqueles que têm ensino superior. Essa população é mais otimista com a diminuição de casos do coronavírus, talvez porque precise estar, precise retomar sua atividade para sustentar sua família”, pontua a jornalista Flávia Lima Moreira, fundadora e diretora do Clube da Opinião.

Avaliação das medidas adotadas. Os dados da sondagem também mostram que tanto o prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Júnior, como o governador do RS, Eduardo Leite, são mais bem avaliados pela população com ensino superior no que diz respeito às ações de combate à pandemia de Covid-19. O entendimento de que Marchezan está agindo corretamente ao permitir a retomada de atividades comerciais é o de 58,4% das pessoas com ensino superior, ante 49% com ensino fundamental ou médio. A desaprovação fica, respectivamente, em 35,7% e 42,7%.

Já no caso do estado, a pergunta procurou obter a opinião especificamente sobre a reabertura dos shopping centers. Para 52,6% dos respondentes com ensino superior, Leite está correto ao adotar a medida; esse percentual cai para 41% nas respostas de quem tem ensino fundamental ou médio.

Quanto ao medo da pandemia, os dois grupos destacaram que temem mais pelos seus familiares, seguidos da população mais vulnerável e, em terceiro, por si próprio ficar doente. A sondagem também mostrou que a máscara está sendo adotada pela maioria das pessoas ao sair de casa: 87,6% entre os de ensino superior e 82% entre as pessoas com ensino fundamental ou médio.

Uma percepção diferente é percebida quando perguntados sobre o isolamento social, mais apoiado entre quem tem menor grau de instrução. Enquanto 43,8% das pessoas com ensino superior acreditam que é preciso diminuir o isolamento social gradualmente, este percentual é de 37% entre quem tem até o ensino médio. Respectivamente, 41,9% (ensino superior) e 44,5% (ensinos fundamental e médio) acreditam que o isolamento deve continuar.

Oscilação na renda. As perguntas também focaram na renda e em possíveis mudanças no rendimento dos cidadãos a partir da pandemia de coronavírus. Para a maior parte das pessoas que responderam a pesquisa, independente da instrução, a renda de manteve estável. Essa foi a opção de 48,8% dos respondentes com ensino superior e 40% que tenham até o ensino médio. A maior diferença é percebida entre os que tiveram redução de renda. Entre o grupo com ensino fundamental e médio, 32,4% disseram que a sua situação econômica piorou muito, ante 18% dos com ensino superior.

Segundo Flávia, a forma como serão conduzidas as medidas envolvendo a pandemia impactará diretamente as eleições municipais, uma vez que os problemas tendem a se acentuar. “A fome, a redução de renda, o desemprego. E não vemos medidas de médio prazo serem implementadas. Como será a Porto Alegre pós-pandemia? Ela deveria estar sendo construída desde agora. Mas me parece, pelo que vejo da comunicação dos pré-candidatos de Porto Alegre, que essa não é uma preocupação”, destaca.

A jornalista, especialista em comunicação política, é a fundadora do Clube da Opinião, que surgiu após um ano de planejamento e estudos. “Nosso objetivo é ser uma plataforma permanente de escuta da população. Sem vinculação política ou partidária, sem viés ideológico”, comenta Flávia. O Clube nasce como um espaço “onde o que realmente importa é a opinião das pessoas, porque elas não têm sido muito ouvidas no processo de tomada de decisão e acredito que para termos uma democracia forte, o primeiro passo, a base é justamente a participação popular”, finaliza a jornalista.

A sondagem teve respostas de moradores dos seguintes bairros:

Aberta dos Morros

Agronomia

Anchieta

Auxiliadora

Azenha

Bela Vista

Belém Novo

Boa Vista

Bom Fim

Bom Jesus

Camaquã

Campo Novo

Cascata

Cavalhada

Centro

Chácara das Pedras

Cidade Baixa

Coronel Aparício Borges

Cristal

Cristo Redentor

Espírito Santo

Farrapos

Farroupilha

Floresta

Glória

Guarujá

Higienópolis

Hípica

Humaitá

Ilhas

Independência

Ipanema

Jardim Botânico

Jardim Carvalho

Jardim do Salso

Jardim Dona Leopoldina

Jardim Itu-Sabará

Jardim Lindóia

Lomba do Pinheiro

Mário Quintana

Medianeira

Menino Deus

Moinhos de Vento

Mont’Serrat

Nonoai

Partenon

Passo D’Areia

Passo das Pedras

Petrópolis

Ponta Grossa

Praia de Belas

Restinga

Rio Branco

Rubem Berta

Santa Cecília

Santa Tereza

Santana

Santo Antônio

São Geraldo

São João

São Sebastião

Sarandi

Teresópolis

Três Figueiras

Tristeza

Vila Assunção

Vila Conceição

Vila Ipiranga

Vila Nova

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