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SMED institui sistema para aulas a distância em Porto Alegre; professores reclamam por falta de diálogo com as escolas

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Foto: Unsplash/Ilustrativa

A prefeitura de Porto Alegre apresentou nesta terça-feira, 2, o plano para as aulas a distância em 58 escolas da rede municipal de ensino. O programa, apresentado quase 80 dias depois do fechamento das escolas em função da pandemia, será executado através da plataforma Córtex e tem como foco atingir alunos do 6º ao 9º ano do ensino fundamental.

Pela plataforma, professores deverão disponibilizar atividades aos alunos. A execução ocorrerá, segundo o plano, com auxílio da família, em casa, que deverá ter um celular com sistema operacional Android ou iOS. Na live em que anunciou o programa, o prefeito Nelson Marchezan Júnior frisou que o município irá fornecer pacotes de dados para as famílias que não tiverem.

A disponibilização da Córtex para as escolas foi possível graças a um patrocínio dos empresários Jorge e Klaus Gerdau, da Gerdau. “É um legado, uma ferramenta, uma experiência que foi antecipada com a pandemia. Viver num mundo mais digital, mais tecnológico, desenvolver mais ferramentas”, avaliou o prefeito Marchezan.

O CEO da Córtex, Richard Lucth, destacou que a ferramenta fomenta o engajamento e a participação responsável de todos na vida escolar do aluno e incentiva a família a participar da vida da escola. “É uma solução robusta e que tem uso muito intuitivo, por toda a comunidade escolar”, comentou. O sistema já era utilizado em algumas escolas, mas com foco nos controles de fluxo e avisos para a família.

O secretário municipal de Educação, Adriano Naves Britto, estimou em duas semanas o prazo para a SMED ter os vínculos constituídos para que as atividades comecem a ser enviadas, ou seja, que o familiar responsável pelo aluno baixe o aplicativo Cortex Aluno e vincule o seu filho à escola.

Escolas reclamam por falta de diálogo

Professores e diretores de escola reagiram ao novo plano e reclamaram, principalmente, da falta de diálogo por parte da Secretaria Municipal de Educação com as escolas. A diretora Rosele Cozza Bruno de Souza, da Escola Professor Anísio Teixeira, fala da falta de orientação e de consulta por parte da prefeitura.

“Não foi realizado nenhum contato, com nenhuma direção, para encaminhar qualquer proposta, saber o que pensávamos ou estávamos realizando com nossas comunidades escolares”, destaca a diretora.

Um professor da rede municipal também destaca a forma de implementação do sistema, sem a participação dos professores. “Em termos de gestão da educação pública isso é impensável, mas nada mais nos espanta com relação a essa gestão que nunca dialogou com os professores/escolas”, pondera.

A diretora Rosele ainda comenta sobre as condições de aprendizagem dos alunos. Embora na sua escola as crianças carentes sejam minoria, não é a realidade da maioria das outras escolas municipais. “Estou me referindo às condições que os alunos terão, além de ter internet. Me refiro a que aparelho será utilizado. Terão mesa, cadeira, um espaço, onde possam estudar?”

Implantação

Segundo a SMED, a partir de hoje, 2, ocorrerão orientações para as direções das escolas e, na sequência, a capacitação dos professores. O próximo passo será a adesão das famílias à plataforma e as instruções para o acesso do conteúdo, para depois iniciar a operação propriamente. Na live, não foi informado quando se espera que o sistema esteja operando totalmente.

As funcionalidades apresentadas com o novo sistema:
– Chamada / lista de presença
– Envio de conteúdo
– Recebimento de atividades
– Avaliações
– Envio de mensagens, inclusive pela Smed
– Registro de atividades / diário de classe

Leia também: Professores reclamam da falta de orientações da SMED sobre atividades durante a quarentena

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