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Construção civil paralisa as atividades hoje em Porto Alegre. Sindicato apresenta dados mostrando que setor não contribui para contágio da Covid-19

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Aferição da temperatura dos funcionários na chegada aos canteiros de obras (Foto: Divulgação/Sinduscon)

Quase 200 obras da construção civil estão paradas desde hoje em Porto Alegre. A medida cumpre o último decreto municipal que estipulou as atividades econômicas que deveriam ter restrições novamente. A paralisação nas obras privadas da construção civil ocorre dois meses após o retorno às atividades, depois da primeira parada, entre março e o final de abril. Apenas na Capital, o setor tem 27 mil trabalhadores com carteira assinada em cerca de 400 empresas. O decreto municipal não prevê a paralisação das obras públicas, como o trecho 3 da Orla do Guaíba.

O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do estado, Aquiles Dal Molin Junior, destaca que o setor vinha cumprindo os protocolos de segurança, higienização e distanciamento nos canteiros de obras, fazendo com que, até agora, nenhum trabalhador do setor tenha sido diagnosticado com Covid-19.

Uma pesquisa feita pelo Sinduscon-RS e divulgada nesta sexta-feira mostrou que 5.804 trabalhadores da construção civil foram acompanhados entre 5 de maio e ontem. Eles atuavam em 109 canteiros de obras e não houve identificação de casos do novo coronavírus.

“Estamos fazendo uma pesquisa ativa onde temos as informações diárias de todas as empresas associadas dando conta de que não houve um caso sequer de coronavírus dentro da construção civil em Porto Alegre, desde o início da pandemia. Está sendo feita a aferição da temperatura na chegada aos canteiros de obra e questionários diários com os trabalhadores”, ponderou Dal Molin.

Tabelas com controle de temperatura (Foto: Reprodução)

Segundo ele, essa nova paralisação é prejudicial também em relação às dificuldades e prejuízos causados pela primeira parada. Ainda de acordo com o presidente do Sinduscon-RS, as empresas do setor conseguiram, através das medidas do governo federal, ajustar férias e jornada de trabalho. O setor teme que as restrições que vigoram a partir de hoje, impedindo que as obras tenham seguimento, acarretem em um número elevado de demissões, evitadas até agora.

Uma das características das obras da construção civil, como a construção de prédios, é a sua realização em ambientes geralmente arejados. Dal Molin ainda destaca que a distribuição das tarefas estava ocorrendo a fim de permitir o distanciamento entre os funcionários. “Tendo essas evidências, ficou claro para nós que o setor da construção civil não é vetor de contágio da Covid-19. Portanto, parar a construção civil não contribui na redução do contágio porque já não há contágio. Por isso a surpresa do setor”, destaca.

Dal Molin ainda destaca o caráter social dos empregos do setor dado o perfil dos trabalhadores, boa parte em situação de vulnerabilidade econômica. Atuar nos canteiros de obras também é fonte de primeiro emprego para muitas pessoas. “É uma atividade com grande relevância econômica e social, pelos empregos que gera. Se se prolonga muito essa paralisação, haverá demissões, porque as empresas não têm mais fôlego financeiro para manter os trabalhadores parados”, frisa.

A expectativa da indústria da construção civil é poder retornar às atividades em duas semanas. Para isso, o setor mantém diálogo constante com a prefeitura, principalmente através dos secretários de Saúde, Pablo Sturmer, e Extraordinário de Enfrentamento ao Coronavírus, Bruno Miragem. Uma reunião ontem à tarde com Sturmer serviu para que o Sinduscon-RS apresentasse os dados obtidos a partir dos questionários e também reforçasse o cumprimento dos protocolos de segurança nos canteiros de obras. A partir de hoje, não apenas a construção civil tem suas atividades paralisadas, mas a indústria como um todo.

2 COMENTÁRIOS

  1. Por que a imprensa ouve apenas os empresários? Creio que seria necessário também ouvir o sindicato dos trabalhadores da construção civil, que representa os que TRABALHAM. Os que vivem do CAPITAL, sem trabalhar e explorando o trabalho dos outros, semore são os únicos a serem ouvidos pela imprensa burguesa.

    • Caro Hermes, nós fizemos contato há três dias com a assessoria de comunicação do STICC por e-mail e não obtivemos retorno. Por telefone também não conseguimos falar com ninguém. Se tiver algum contato, por favor, nos envie.

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